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Domingo, 05 de Outubro 2010
Extermínio de tatus no sertão da Bahia
Por: José Dilson - euclidesdacunha.com
Fotos: José Dilson

Críticas, sugestões e opiniões

Por mais que os órgãos de imprensa coloquem para as pessoas que descuidar da natureza não é um bom negócio e que o desequilíbrio ambiental gera problemas gravíssimos de conseqüências imprevisíveis, em dado momento, nos parece que o alerta dado é coisa que encanta e mexe com o sentimento de muita gente, somente naquele momento de apresentação do noticiário, por exemplo.

A nossa experiência como repórter nos faz dizer que não há mais ninguém, nesse País, que não saiba que a caça indiscriminada, sem autorização do IBAMA, que coloca em risco a sobrevivência da espécie animal de determinada região e, por consequência, também a extinção de espécies animais e de plantas.
Veado campeiro, perdiz, onça jaguatirica, jacu, tatu-bola, tatu-peba, etc., ficaram mais difíceis de serem encontrados, pois constam da lista de animais seriamente ameaçados de extinção e não mais serem encontrados na fauna nordestina, em especial, principalmente, do sofrido sertão baiano.

O conluio entre caçadores e comerciantes de animais silvestres, vivos ou mortos, aliados à morosidade da Justiça na punição aos infratores, são estimulantes para esses ‘predadores conscientes da natureza’ que, em muitas das vezes, são presos e posteriormente liberados, sob argumentos fracos, inconsistentes, de advogados que trabalha a condição social e econômica de seus clientes, na tentativa de sensibilizar autoridades e, com isso e com pouco dinheiro, colocar em liberdade, exterminadores contumazes do meio ambiente.

As fotografias que ilustram esta página mostram, muito bem, o que os inimigos da natureza estão fazendo com animais silvestres em extinção.
As cenas são chocantes e mais chocantes ainda é ouvir de um desses elementos irresponsáveis, praticantes de crimes ambientais, a confissão de que “têm consciência da ação criminosa que estão praticando, mas que é o único meio de sobrevivência para ele e para a família”, como aconteceu com José Luis Fonseca Costa, 49 anos, preso em flagrante, nesta quarta-feira, 01, com 35 tatus abatidos, eviscerados e congelados, prontos para o consumo. No casco, não havia sinais de pancada ou corte, causando a impressão de que haviam sido cortados, ainda vivos, para a retirada das vísceras, preservando rins e fígado.

Segundo Mário Cesar, policial militar do 5º BPM, autor da prisão do acusado, há 20 dias, José Luis estava sendo alvo de investigação e, na semana anterior, havia passado ileso, com cerca de 73 tatus abatidos e levados para a cidade de Tucano-BA, onde reside e comercializa o produto para restaurantes de Ribeira do Pombal, Tucano, Feira de Santana e Salvador. Além de pessoas que, individualmente gostam da caça que é degustada como iguaria especial, em sua própria casa.
No mercado negro, um tatu abatido custa cerca de 50 reais. Em duas semanas, mais de cem tatus foram dizimados da fauna e da caatinga da região de Macururé, município ao Norte do Estado da Bahia.

Ainda no local da apreensão, José Luis Fonseca revelou que compra os dasipodídeos de um homem que, provavelmente caça e pega vivo os animais, para depois abatê-los e eviscerá-los, depois de acumular uma boa quantidade, que é comunicada ao comprador que vai pegá-la em local combinado.
Para despistar os fiscais do IBAMA e a polícia, José Luis Fonseca saía de Macururé de automóvel e viajava até o povoado de Bendegó/Canudos, onde pegava um ônibus de linha regular para Salvador ou Feira de Santana, via Euclides da Cunha, onde desembarcava e passava para um carro pequeno que faz transporte alternativo de Euclides da Cunha para Tucano, segundo informou o PM Mário César.

Mário César tem feito um bom trabalho de combate ao tráfico de animais silvestres na região e, nos últimos meses fez apreensões importantes de várias aves, entre elas papagaio, cardeal, azulão, pintassilgo, sabiá, entre outros.

A promotora de Justiça Mônia Lopes de Souza Quinhone foi comunicada do fato e deslocou-se para o local da apreensão, onde testemunhou o flagrante, fez algumas perguntas ao acusado que, bastante nervoso tentava justificar o crime inafiançável; porém, foi convidado a embarcar em uma viatura da Polícia Militar solicitada e conduzido para a delegacia de polícia, onde foi apresentado à autoridade de plantão.

Numa consulta feita ao cadastro de antecedentes criminais, ficou constatado que o acusado havia cumprido três anos de prisão, condenado por tráfico de drogas.
Depois de ouvido pelas autoridades, José Luis ficou recolhido ao xadrez da Depol, à disposição da Justiça.
 

 
 
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  Fonte: Tempo Agora 
 

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