|

Por mais que os órgãos de imprensa coloquem para as pessoas que descuidar
da natureza não é um bom negócio e que o desequilíbrio ambiental gera
problemas gravíssimos de conseqüências imprevisíveis, em dado momento,
nos parece que o alerta dado é coisa que encanta e mexe com o sentimento
de muita gente, somente naquele momento de apresentação do noticiário,
por exemplo.
A nossa experiência como repórter nos faz dizer que não há mais ninguém,
nesse País, que não saiba que a caça indiscriminada, sem autorização do
IBAMA, que coloca em risco a sobrevivência da espécie animal de
determinada região e, por consequência, também a extinção de espécies
animais e de plantas.
Veado campeiro, perdiz, onça jaguatirica, jacu, tatu-bola, tatu-peba,
etc., ficaram mais difíceis de serem encontrados, pois constam da lista
de animais seriamente ameaçados de extinção e não mais serem encontrados
na fauna nordestina, em especial, principalmente, do sofrido sertão
baiano.
O
conluio entre caçadores e comerciantes de animais silvestres, vivos ou
mortos, aliados à morosidade da Justiça na punição aos infratores, são
estimulantes para esses ‘predadores conscientes da natureza’ que, em
muitas das vezes, são presos e posteriormente liberados, sob argumentos
fracos, inconsistentes, de advogados que trabalha a condição social e
econômica de seus clientes, na tentativa de sensibilizar autoridades e,
com isso e com pouco dinheiro, colocar em liberdade, exterminadores
contumazes do meio ambiente.
As fotografias que ilustram esta página mostram, muito bem, o que os
inimigos da natureza estão fazendo com animais silvestres em extinção.
As cenas são chocantes e mais chocantes ainda é ouvir de um desses
elementos irresponsáveis, praticantes de crimes ambientais, a confissão
de que “têm consciência da ação criminosa que estão praticando, mas que
é o único meio de sobrevivência para ele e para a família”, como
aconteceu com José Luis Fonseca Costa, 49 anos, preso em flagrante,
nesta quarta-feira, 01, com 35 tatus abatidos, eviscerados e congelados,
prontos para o consumo. No casco, não havia sinais de pancada ou corte,
causando a impressão de que haviam sido cortados, ainda vivos, para a
retirada das vísceras, preservando rins e fígado.
Segundo
Mário Cesar, policial militar do 5º BPM, autor da prisão do acusado, há
20 dias, José Luis estava sendo alvo de investigação e, na semana
anterior, havia passado ileso, com cerca de 73 tatus abatidos e levados
para a cidade de Tucano-BA, onde reside e comercializa o produto para
restaurantes de Ribeira do Pombal, Tucano, Feira de Santana e Salvador.
Além de pessoas que, individualmente gostam da caça que é degustada como
iguaria especial, em sua própria casa.
No mercado negro, um tatu abatido custa cerca de 50 reais. Em duas
semanas, mais de cem tatus foram dizimados da fauna e da caatinga da
região de Macururé, município ao Norte do Estado da Bahia.
Ainda no local da apreensão, José Luis Fonseca revelou que compra os
dasipodídeos de um homem que, provavelmente caça e pega vivo os animais,
para depois abatê-los e eviscerá-los, depois de acumular uma boa
quantidade, que é comunicada ao comprador que vai pegá-la em local
combinado.
Para despistar os fiscais do IBAMA e a polícia, José Luis Fonseca saía
de Macururé de automóvel e viajava até o povoado de Bendegó/Canudos,
onde pegava um ônibus de linha regular para Salvador ou Feira de
Santana, via Euclides da Cunha, onde desembarcava e passava para um
carro pequeno que faz transporte alternativo de Euclides da Cunha para
Tucano, segundo informou o PM Mário César.
Mário
César tem feito um bom trabalho de combate ao tráfico de animais
silvestres na região e, nos últimos meses fez apreensões importantes de
várias aves, entre elas papagaio, cardeal, azulão, pintassilgo, sabiá,
entre outros.
A promotora de Justiça Mônia Lopes de Souza Quinhone foi comunicada do
fato e deslocou-se para o local da apreensão, onde testemunhou o
flagrante, fez algumas perguntas ao acusado que, bastante nervoso
tentava justificar o crime inafiançável; porém, foi convidado a embarcar
em uma viatura da Polícia Militar solicitada e conduzido para a
delegacia de polícia, onde foi apresentado à autoridade de plantão.
Numa consulta feita ao cadastro de antecedentes criminais, ficou
constatado que o acusado havia cumprido três anos de prisão, condenado
por tráfico de drogas.
Depois de ouvido pelas autoridades, José Luis ficou recolhido ao xadrez
da Depol, à disposição da Justiça.
|